Carta de Final de Ano – 2017

Chegamos a mais um final de ano e gostaríamos, em primeiro lugar, de agradecer nossos clientes, colaboradores e funcionários. Foi um ano espetacular e riquíssimo em experiências e rentabilidade.

Nossa previsão de sempre se mostrou verdadeira mais uma vez. Então, para não falhar, vamos repeti-la esse ano: todos os analistas, economistas e estrategistas vão errar as previsões para 2018! Essa nunca falha!!!

No ano passado, a previsão para 2017 era de um dólar na casa dos 3,50, inflação dentro da meta e juros de dois dígitos. E o que tivemos? Dólar na casa dos 3,30, inflação muito abaixo do limite inferior da meta e a menor taxa de juros da era Real. Não vamos pegar nenhum relatório de um banco ou corretora específico, mas de acordo com o Focus, para 2018 espera-se uma inflação de 3,96%, dólar a 3,32 e PIB de 2,68%. Veremos o resultado em um ano…

Do lado que realmente importa, mais um ano termina e mais uma vez temos uma das melhores rentabilidades nos mercados globais. Nossas carteiras no exterior subiram quase 20% em 2017. Sem dúvida, uma grande realização, especialmente se consideramos a composição das carteiras, que têm em média 40% dos ativos em cash e com pouco risco.

O mercado brasileiro está focado em dois temas: reforma da previdência e eleições. Achamos as preocupações demasiado sérias para o momento. A primeira, a reforma da previdência, não será de fato uma reforma e sim um pequeno ajuste na idade mínima para aposentadoria. Ainda que passe, pouco impacto deve ter no curto prazo com relação ao que realmente preocupa, o índice Endividamento/PIB. Com relação a segunda delas, as eleições, também temos uma visão fora da curva: apesar da candidatura Lula ainda estar aberta (julgamento em janeiro de 2018), ainda é cedo para saber quem serão mesmo os candidatos. E, pior ainda, na nossa opinião, não interessa quem ganhe, afinal o país ainda terá um Congresso similar ao que está aí, com pouquíssima renovação, sobretudo dos caciques.

Achamos que ainda existem riscos vindos de fora que podem afetar o país. Assim, apesar do desempenho estelar do nosso fundo multimercado em dezembro (quase 300% do CDI) e da boa rentabilidade das carteiras de renda fixa (acima de 150% do CDI no ano), estamos não só tirando o pé do acelerador, como já mencionamos há alguns meses, mas também pisando levemente no freio.

Diminuímos substancialmente o risco nos portfolios, alocando a maior parte em LFTs. Achamos prudente sermos medrosos quando o mercado inteiro está confiante, em meio a previsões para a Bolsa em 2018 variando de 90.000 até 150.000 pontos. Como disse certa vez Warren Buffett, devemos ser medrosos quando os outros estão confiantes e confiantes quando estão medrosos.

Continuamos a focar nossas energias no mercado externo, onde vemos as melhores oportunidades. Além da segurança jurídica, da moeda forte, das inúmeras possibilidades de investimento (o Brasil representa somente 1% do mercado financeiro global), do Plano B, há ainda a possibilidade de repatriação de recursos nos EUA num montante superior a US$400 bilhões, o que poderá fortalecer o dólar.

Os temas que vamos acompanhar no ano que começa serão bem simples: potencial de alta para o gás natural, o urânio, o mercado russo (contrarian) e a platina. De novo, somos focados em valor e gostamos de investir em temas simples, que entendemos e que possuem um alto potencial de valorização.

Como de costume, estamos muito confiantes no investimento em ouro, especialmente em tempos turbulentos como os que estamos vivendo.

Bolhas para todos os lados ou, como dizemos, a bolha de tudo. Bitcoin batendo novos recordes, quadros sendo vendidos a preços estratosféricos, triplo recorde (Nasdaq, S&P e Dow Jones) nas bolsas americanas toda semana, baixa volatilidade e fundos passivos crescendo e dominando quase metade do mercado.

Se olharmos por outro lado, conflitos no mar do sul da China, na Coréia, na Ucrânia, na Síria, no Iêmen, problemas com os bancos espanhóis e italianos, a Grécia sem nenhuma resolução (só estão empurrando com a barriga para ganhar tempo), o Deutsche Bank com uma posição em derivativos maior que 8 vezes o PIB da Alemanha, Porto Rico (um território americano) em default, acirramento das tensões com o Brexit, distrações na Catalunha e norte da Itália, imigração desenfreada, bolhas imobiliárias homéricas na Austrália e Canadá, China com o sistema bancário em frangalhos, Rússia e Irã em desacordo com os EUA, acharíamos que existem barganhas por todos os lados.

Quão errados estaríamos? Hoje, os valuations estão nas máximas históricas, com o Shiller PE para o S&P na segunda maior alta da história (perdendo somente para a bolha da internet, que estourou em 2000). No mercado de bônus, anomalias não faltam, com títulos de países como Portugal (BBB-) pagando menos que os similares emitidos pelos EUA. Há ainda grandes distorções em bonds high yield e a Argentina, por exemplo, país que pediu moratória 5 vezes no último século, a mais recente em 2014, emitiu há pouco tempo quase US$3 bilhões em dívida de 100 anos com taxa de juros de 8% ao ano. A Tesla, empresa que consegue ter prejuízos bilionários todo ano, emitiu também esse ano US$1,8 bilhão, 20% a mais que o inicialmente pensado, devido à enorme demanda, em bonds pagando menos de 6% ao ano. O Netflix, outra empresa que só queima caixa, também captou recursos recentemente no mercado com juros ainda mais baixos, de apenas 3,625%. O VIX, índice que mede o “medo” do mercado, está bem próximo à mínima histórica atingida há poucas semanas, de 8,84 – vale lembrar que ele estava acima de 80 durante a última crise. Isso tudo, em um momento em que os EUA estão subindo a taxa de juros… O mesmo ocorreu antes dos últimos crashes, de 2000 e 2008.

Vamos continuar focando em investimentos rentáveis e com baixo risco. Esse tem sido o maior gerador de rentabilidade para nós e para nossos clientes e vamos seguir em frente.

Mais uma vez, gostaríamos de agradecer a todos e desejar-lhes um feliz 2018, repleto de alegrias, sucessos e saúde.

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