O que a curva de juros está nos dizendo

Ontem, pela primeira vez há mais de 10 anos, o spread entre os títulos de 2 e 10 anos nos EUA ficou, momentaneamente, abaixo de 10 bps. Normalmente, quando há uma compressão desse spread, há uma sugestão de que condições econômicas menos favoráveis estão a caminho. Quando há uma inversão nessa curva, ou seja, quando os juros dos títulos de 2 anos superam os dos títulos de 10 anos, temos uma indicação de recessão. Obviamente não estou falando que haverá uma recessão nos EUA amanhã, mas gostaria de frisar que estamos mais perto do final desse ciclo do que do início. Aliás, já alertei a todos nesse blog em janeiro e fevereiro em vários posts. O mais interessante é notar que a maioria dos analistas ainda não mudou suas projeções, ou seja, estão esperando um forte crescimento no PIB americano no último trimestre. Estamos vendo um mercado acionário conturbado, com o preço das FAANGs sofrendo quedas assustadoras, e setores que antes eram os mais amados do mercado, como o de tecnologia, se tornarem a bola da vez para os short sellers (vendedores a descoberto). Isso sem falar em commodities como o “dr.” cobre e o petróleo, que estão apanhando feio. E não sou o único que está dizendo isso. Howard Marks, bilionário e famoso investidor americano já está falando isso há algum tempo. Ele inclusive publicou um livro esse ano, intitulado “Mastering the Market Cycle” (por sinal, muito bom), onde ele expõe as características de final de ciclo de alta, como crescimento da economia, aumento nos lucros corporativos, toda notícia é boa notícia, investidores acham que correr risco é um caminho certeiro para maiores lucros, a ganância dita o comportamento, ninguém consegue imaginar uma razão para vender e não há liquidações, dentre outras. Além dele, outro bilionário investidor, Ray Dalio, também está seguindo a mesma rota. Dalio, que também publicou um livro novo esse ano, chamado “A Template for Understanding Big Debt Crisis”, anuncia para quem quiser ouvir, que estamos no final de um ciclo de alta e que o que vem a seguir não é auspicioso. Ele chegou a quebrar há algumas décadas, deu a volta por cima e montou a Bridgewater, o maior hedge fund do mundo. Warren Buffett, outro bilionário famoso por só comprar ações e dizer que o holding period para ele é para sempre, não compra uma ação há quase 3 anos – e, por sinal, já vendeu duas somente esse ano. O caixa da Berkshire Hathaway superou os US$100 bilhões há algum tempo e continua engordando. Buffett não fala, mas para bom entendedor, ações falam mais alto que palavras. E posso citar vários outros, como Stanley Druckenmiller, Paul Singer, Jeff Gundlach, Paul Tudor Jones, mas o importante é reconhecer que já estamos no décimo ano da dita retomada do crescimento nos EUA e que a taxa de juros está subindo há algum tempo (muitos especulam que provavelmente haverá uma interrupção no próximo ano). Enquanto escrevo essas linhas, a China acaba de dizer que vai implementar acordos comerciais com os EUA, e isso provavelmente dará um alento aos mercados amanhã (embora os mercados nos EUA estejam fechados). Mas as quedas, na minha opinião, têm pouco a ver com essa guerra comercial (embora ela não ajude em nada). As quedas estão relacionadas a uma bolha absurda, criada pelos bancos centrais para evitar que sofrêssemos as consequências da última bolha, também criada pelos bancos centrais. Todas as bolhas nos últimos anos estouraram quando o FED estava subindo a taxa de juros e essa pode não ser a exceção. Além de grandes nomes no mercado internacional estarem...

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O momento chegou?

Num dos primeiros posts desse ano eu já alertava para um possível crash nos mercados, dizendo que os preços dos ativos estavam muito acima da média histórica e que os juros nos EUA estavam subindo. Minha recomendação aos investidores à época foi cautela, bonds de empresas de primeira linha com vencimentos curtos e algumas ações com posição alta em caixa e baixo valor de mercado. Será que agora chegamos ao momento do crash? Na minha opinião, é impossível saber, a não ser olhando para trás. Vamos descobrir daqui a algum tempo, mas já podemos notar algumas rachaduras na superfície. Por enquanto temos que nos contentar com indícios. A Apple, queridinha do mercado (e também de Warren Buffett), está mais de 20% abaixo do seu pico trilionário atingido há cerca de dois meses. A Nvidia, provavelmente a ação mais badalada dos últimos anos, está quase 50% abaixo do seu pico, também atingido há quase dois meses, e agora é arrastada para baixo pelo mesmo fator que a impulsionou: as criptomoedas. Além dos dois exemplos acima, podemos ainda mencionar vários outros, como as notórias FAANGs – Facebook, Amazon, Apple, Netflix e Google -, as ações de momentum (cuidado com o seu fundo multimercado brasileiro que investe nelas) e as de tecnologia. O risco, como já disse algumas vezes, começa aos poucos, depois vem como uma enxurrada. E os riscos estão aumentando, com os mais fracos sofrendo primeiro. Começou com as criptomoedas, sobre as quais eu já havia alertado, depois recaiu sobre os mercados emergentes, notadamente Turquia e Argentina, e agora passou para o mercado acionário. Para as pessoas que acham que o Brasil tem um novo presidente e que ele está focado em reformas e com muita boa disposição (que, por sinal, parece ser o caso), gostaria de lembrar da Argentina, que elegeu Mauricio Macri e cuja moeda já perdeu quase 50% do valor nos últimos meses. O que os Bancos Centrais fizeram na última década foi somente postergar os efeitos da última crise, que foi consequência das mesmas atitudes dos mesmos Bancos Centrais como resposta à crise que a antecedeu. Ficou confuso? Explico. Sob a justificativa de conter os efeitos deletérios do estouro da bolha das ações de tecnologia em 2000, o Fed reduziu a taxa de juros e conduziu uma política monetária expansionista. Em agosto de 2007, depois de anos de excesso de liquidez, a conta chegou junto com o estouro da bolha do subprime, dando início à crise financeira global. O que as autoridades monetárias fizeram? Conduziram uma nova política expansionista, de dimensões e audácia sem precedentes, diga-se de passagem. O que isso nos mostra é que não há uma solução definitiva e os Bancos Centrais fazem a única coisa que sabem fazer: abaixar a taxa de juros e imprimir mais dinheiro, fazendo com a economia alterne entre booms e busts. Com menos taxa de juros e mais dinheiro, os investidores foram buscar retorno e se esqueceram do risco. Acredito que os problemas de hoje estejam piores que em 2008. Naquela época, o montante de dívida no mundo era de cerca de US$173 trilhões. Hoje já são mais de US$250 trilhões. Nada foi resolvido, simplesmente maquiaram os efeitos da crise com impressão de dinheiro e juros artificialmente baixos. Tudo Isso fez com que os preços dos ativos subissem bastante, contudo de forma irreal, não baseada em ganhos de produtividade ou em crescimento sustentável. A conta vai chegar, só não sei se é agora. Continuo recomendando...

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Parte 2 de 3: Conversa com Stanley Druckenmiller

Nesse artigo, vou falar um pouco sobre as visões de Druckenmiller sobre o Japão, o mercado de bonds, como aproveitar a oportunidade (se você é um profissional, claro) sobre um possível crash e sobre a “nova economia”. Druckenmiller falou sobre um investimento que fez há muitos anos no Japão, quando comprou títulos da dívida japonesa quando esses pagavam 7% a.a., vendendo-os a seguir com um bom lucro. Algum tempo depois, ele viu que esses títulos estavam sendo negociados a 2,5% a.a. e resolveu vendê-los a descoberto – esse foi, segundo ele, o seu primeiro erro que custou US$1 bilhão (os outros foram mais “baratos”). Ele não entende bem como o Japão funciona, então não negocia mais por lá, embora goste das ações nesse país. Realmente existem ações baratas no Japão, eu mesmo investia lá há pouco tempo e tive um bom retorno – foi, sem dúvida, uma boa experiência. Druckenmiller disse que acredita que estamos num bear market para os bonds no mundo inteiro. Ele está shorteando muitos bonds de empresas, mas não bonds do governo. Ele recomendou que, quem quisesse shortear esse mercado, fizesse da mesma forma – além do risco de crédito dos emissores fazer com que os spreads aumentem (atualmente estão bem baixos), o investidor também se livraria do risco de impressão de dinheiro por parte dos governos, o que impactaria na tese de investimento. Druckenmiller acha que os yields dos títulos de dívida devam subir nos próximos 10 anos e que eles deveriam ser negociados a taxas acima do crescimento do PIB nominal (atualmente estão abaixo do PIB real). Ele comparou as altas no mercado de juros ao jogo de Jenga – você nunca sabe qual será a peça que vai tirar que vai desmontar o jogo, mas eventualmente alguma vai. Da mesma forma, não sabemos qual será o aumento de juros que vai estourar a bolha que estamos vivendo, mas esse crash virá. Como eu venho dizendo há um tempo, agora é hora de se proteger, não de correr atrás de retornos pequenos com riscos altos – especialmente no mercado de renda fixa (bonds). Por definição, quando os preços estão altos, os retornos são baixos – e vice-versa. Lembrando que eu não olho para risco como volatilidade e sim como a possibilidade de se perder dinheiro. Druckenmiller acha que, se essa tese se realizar, o preço do ouro deverá subir de forma substancial, já que os BCs serão obrigados a intervir nos mercados para evitar uma catástrofe e imprimirão mais dinheiro. Como eu sempre falo, a única coisa que os BCs sabem fazer é isso, ou, se preferirem, para quem tem um martelo, todo problema é um prego. Nesse contexto, haveria uma desvalorização do dinheiro e, consequentemente, uma valorização dos ativos reais, sendo o ouro um grande beneficiário. Aliás, essa é a tese pregada por vários gold bugs (amantes do ouro). Ela se materializou por muitos anos, fazendo o ouro subir de cerca de US$200/onça para quase US$2.000/onça em 2011. Desde então, o ouro está um pouco “largado” pelo mercado, mas isso pode mudar rapidamente. Apesar disso, ele está bastante aberto ao que pode acontecer nos mercados. Segundo ele, não houve período como esse na história, então não há como olhar para trás e tentar entender e prever o que acontecerá dessa vez. Só um adendo à conversa, Ray Dalio, fundador e CIO da Bridgewater, gestora do maior Hedge Fund do mundo, acredita que o que estamos vivenciando hoje é similar ao que aconteceu em 1937, 8 anos após o crash de 1929. Ele acredita bastante na “nova economia” e está apostando nela contra...

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Carta de Final de Ano – 2017

Chegamos a mais um final de ano e gostaríamos, em primeiro lugar, de agradecer nossos clientes, colaboradores e funcionários. Foi um ano espetacular e riquíssimo em experiências e rentabilidade. Nossa previsão de sempre se mostrou verdadeira mais uma vez. Então, para não falhar, vamos repeti-la esse ano: todos os analistas, economistas e estrategistas vão errar as previsões para 2018! Essa nunca falha!!! No ano passado, a previsão para 2017 era de um dólar na casa dos 3,50, inflação dentro da meta e juros de dois dígitos. E o que tivemos? Dólar na casa dos 3,30, inflação muito abaixo do limite inferior da meta e a menor taxa de juros da era Real. Não vamos pegar nenhum relatório de um banco ou corretora específico, mas de acordo com o Focus, para 2018 espera-se uma inflação de 3,96%, dólar a 3,32 e PIB de 2,68%. Veremos o resultado em um ano… Do lado que realmente importa, mais um ano termina e mais uma vez temos uma das melhores rentabilidades nos mercados globais. Nossas carteiras no exterior subiram quase 20% em 2017. Sem dúvida, uma grande realização, especialmente se consideramos a composição das carteiras, que têm em média 40% dos ativos em cash e com pouco risco. O mercado brasileiro está focado em dois temas: reforma da previdência e eleições. Achamos as preocupações demasiado sérias para o momento. A primeira, a reforma da previdência, não será de fato uma reforma e sim um pequeno ajuste na idade mínima para aposentadoria. Ainda que passe, pouco impacto deve ter no curto prazo com relação ao que realmente preocupa, o índice Endividamento/PIB. Com relação a segunda delas, as eleições, também temos uma visão fora da curva: apesar da candidatura Lula ainda estar aberta (julgamento em janeiro de 2018), ainda é cedo para saber quem serão mesmo os candidatos. E, pior ainda, na nossa opinião, não interessa quem ganhe, afinal o país ainda terá um Congresso similar ao que está aí, com pouquíssima renovação, sobretudo dos caciques. Achamos que ainda existem riscos vindos de fora que podem afetar o país. Assim, apesar do desempenho estelar do nosso fundo multimercado em dezembro (quase 300% do CDI) e da boa rentabilidade das carteiras de renda fixa (acima de 150% do CDI no ano), estamos não só tirando o pé do acelerador, como já mencionamos há alguns meses, mas também pisando levemente no freio. Diminuímos substancialmente o risco nos portfolios, alocando a maior parte em LFTs. Achamos prudente sermos medrosos quando o mercado inteiro está confiante, em meio a previsões para a Bolsa em 2018 variando de 90.000 até 150.000 pontos. Como disse certa vez Warren Buffett, devemos ser medrosos quando os outros estão confiantes e confiantes quando estão medrosos. Continuamos a focar nossas energias no mercado externo, onde vemos as melhores oportunidades. Além da segurança jurídica, da moeda forte, das inúmeras possibilidades de investimento (o Brasil representa somente 1% do mercado financeiro global), do Plano B, há ainda a possibilidade de repatriação de recursos nos EUA num montante superior a US$400 bilhões, o que poderá fortalecer o dólar. Os temas que vamos acompanhar no ano que começa serão bem simples: potencial de alta para o gás natural, o urânio, o mercado russo (contrarian) e a platina. De novo, somos focados em valor e gostamos de investir em temas simples, que entendemos e que possuem um alto potencial de valorização. Como de costume, estamos muito confiantes no investimento em ouro, especialmente em tempos turbulentos como os que estamos vivendo. Bolhas para todos os lados ou, como dizemos, a bolha de tudo. Bitcoin batendo novos recordes, quadros sendo vendidos a...

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Entrevista ao Cenário Econômico

Entrevista concedida ao programa Cenário Econômico na TV Brasil na sede da Bolsa de Valores de São Paulo, em que falo sobre a bolha generalizada nos ativos mundiais: http://www.info4.com.br/ver/exibir.html?Yw=MTU3OQ&YQ=MTU3OQ&bQ=MTY2Mzc1NA&bA=MTY2Mzc1NA&b3JpZ2Vt=cGNvbnRybw&bm9tZQ=KEF1dG8pIFRWIE5vdO1jaWFz 

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Entrevista à Revista Istoé Dinheiro

https://www.istoedinheiro.com.br/aposta-na-tempestade/

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