Jornal da Cidade entrevista Marcelo López

Jornal da Cidade Entrevista Marcelo López

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Riscos subestimados

O momento para a economia brasileira é, aparentemente, bom. Mudanças na política e possíveis melhoras econômicas despontam no horizonte. Se o Brasil não estivesse no planeta Terra, essa perspectiva seria mais fácil de se concretizar. Infelizmente, temos que observar o que acontece no mundo, já que isso tem implicações diretas no Brasil, ainda mais na condição fragilizada e vulnerável em que ele se encontra. Aproveitando a calmaria, queremos chamar a atenção para alguns fatos que julgamos importantes e que não estão sendo devidamente precificados. O primeiro deles, e mais óbvio, é o Deutsche Bank (já escrevemos sobre ele em outubro do ano passado, abril desse ano e novamente na nossa carta semestral). O valor que o DB possui em derivativos é quase 20x o PIB da Alemanha, o que o torna um grande problema. Alguns analistas acham que o problema para aí – não nós. Como o DB tem posições com outros grandes bancos, um default em uma posição afetará diretamente outro banco. Assim, preferimos ficar de fora do setor bancário em geral. Deutsche Bank, Credit Suisse, Barclays, Wells Fargo, etc têm mais problemas que podemos imaginar. A bolha chinesa também é um grande risco para os mercados. No ano passado, a China desvalorizou sua moeda em pouco mais de 3% e as consequências foram nefastas para os mercados emergentes (vale lembrar que o real derreteu nesse período). Desde então, a China continua desvalorizando sua moeda, mas os mercados pararam de dar atenção a esse fato. Grandes investidores como Kyle Bass e George Soros apostam em uma maxi-desvalorização da moeda chinesa (nós também acreditamos nesse cenário) e, quando ela vier, trará grandes problemas para o Brasil. Os bancos chineses estão alavancados, o mercado imobiliário está nas alturas e as dívidas não param de subir. Não precisa de muito para saber que isso não vai acabar bem. Na Europa, a situação não é muito melhor. Começando pela Itália, que terá seu referendo sobre a permanência na Zona do Euro em 4 de dezembro. Uma possível saída da Itália irá desencadear um desejo de saída generalizada – e, possivelmente, o fim do euro como é. Além do mais, os bancos italianos estão a um fio da insolvência. Com a taxa de juros zero (e, em alguns casos, negativa), os bancos italianos não têm como se recapitalizar – os NPL (empréstimos de liquidação duvidosa) que já estão altos, devem subir ainda mais, trazendo caos para esse mercado. Na Grécia, continua o mesmo problema – sempre pegando dinheiro emprestado para pagar o dinheiro que ela deve! Não faz o menor sentido, mas os mercados continuam ignorando isso. Espanha deve ter novas eleições ainda esse ano (a terceira em 2016). O Reino Unido optou por sair do mercado comum europeu. As taxas de juros estão negativas na Suíça, Dinamarca e Suécia. Conflitos no Oriente Médio, Mar do Sudeste da China, Ucrânia e atentados por todos os lados. Não descartamos a possibilidade de uma guerra. Porto Rico entrou em default (e, provavelmente não será o único território dos EUA a fazê-lo), provando que a situação não está boa e a economia norte-americana não está em recuperação. Aliás, com quase 100 milhões de desempregados e mais de 30 milhões de americanos no programa de food stamps, recuperação é algo que não existe! Bolhas nas economias japonesa, chinesa, americana, europeia, australiana, canadense, etc. E não estamos vendo os mercados acionários muito vibrantes. Na verdade, os volumes têm caído bastante, apesar dos “melhores esforços” dos Bancos Centrais. Para se ter uma ideia do tamanho da bolha, vale saber que os Bancos Centrais estão imprimindo quase USD200 bilhões todo...

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Nonfarm Payrolls

Há pouco foi divulgado mais um Nonfarm Payrolls nos EUA e o resultado foi surpreendente: foram criadas 287 mil vagas de trabalho! Isso sim é uma economia pujante em pleno crescimento – ou será que não? Vamos tentar ser cooperativos com o BLS (Bureau of Labor Statistics) e não questionar o número, mesmo tendo vindo 4-sigmas acima da média das expectativas (a frequência de um acontecimento desses é um em cada 43 anos!!!!). Mas vamos dar uma olhada nos números e de onde vieram tantos empregos: 59 mil empregos foram criados nos setores de lazer e hotéis (todos com salário-mínimo); 59 mil empregos foram criados nos setores de educação e saúde (quase todos com salário-mínimo); 30 mil empregos foram criados no setor de varejo (quase todos com salário-mínimo); Realmente isso não parece ser uma economia pujante. Aliás, se fosse, os juros certamente não estariam perto de zero %. Mas, como sempre, o mercado olhou para os números, gostou, e as Bolsas estão subindo. O ouro e a prata caíram um pouco depois do Relatório de Emprego, mas agora estão com pequenas...

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Payrolls – o desastre!

Uau, o que aconteceu com o Payrolls? Seria culpa do clima de novo? O consenso era o da criação de 160 mil empregos e vieram somente 38 mil – um dos maiores erros de previsão de que temos notícia. Isso, depois de o número do mês passado ter sido revisado de 160 mil para somente 123 mil empregos criados. Como já reportamos aqui nesse blog, não foi a primeira vez que o BLS (Bureau for Labor Statistics) divulgou um número “melhorado” para satisfazer o mercado e depois o revisou para baixo, quando ninguém mais estava prestando atenção. Na verdade, não é nem mesmo a primeira vez esse ano! A taxa de desemprego caiu para 4,7% e essa deve ser a notícia na qual o pessoal vai focar, se atendo exclusivamente à manchete, já que não dá pra ler mais do que isso, senão até essa notícia se torna ruim. Isso, porque a queda deveu-se a um êxodo maciço de trabalhadores do setor produtivo – mais de 660 mil pessoas saíram do mercado de trabalho, ou seja, desistiram de procurar emprego. Agora já são mais de 94 milhões de americanos aptos a trabalhar, mas sem emprego. Como esperado por nós – mas não pelo mercado – não teremos alta de juros em junho nos EUA. O número é ruim demais até para ser “melhorado”. Soma-se a isso o risco (agora um pouco mais alto) de um Brexit (saída do Reunido Unido da União Europeia) e do colapso da bolha chinesa (que levaria a uma desvalorização significativa do renminbi), fazendo do verão no hemisfério norte uma estação bastante “promissora”. O ouro disparou após o relatório, passando a subir mais de 2%. Continuamos recomendando aos nossos clientes a compra de ouro físico, um seguro contra a falácia dos mercados financeiros mundiais e seus riscos. Nosso Fundo Multimercado está posicionado em ouro (escritural) e certamente vamos colher os frutos. Nos últimos 6 meses, nossa rentabilidade já passa dos 140% do CDI e hoje deve ser novamente um bom...

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(Mais Um) Decepcionante Relatório de Emprego

Mais um decepcionante relatório de empregos saiu hoje nos EUA. No que chamamos de franca recuperação no setor de garçons e faxineiros, apenas 160mil empregos foram criados em abril, contra uma expectativa do mercado de 200mil. A taxa de desemprego permaneceu estável, a 5%. Seria um número excelente, não fosse ele tão manipulado e refletisse tão pouco a real situação da economia. O forte resultado de fevereiro (245mil) também foi revisado pra baixo (233mil), mas isso não importa mais… Interessante ver que algumas casas como Goldman Sachs e Bank of America já revisaram suas previsões para o número de aumentos na taxa de juros dos EUA. Agora ambas esperam somente um aumento para 2016. Já vimos dizendo há tempos que não haverá outro aumento na taxa de juros, não há como uma economia tão fraca, que mal suporta juros de 0.25% a.a., estar em recuperação. Simplesmente não faz sentido! Se a economia estivesse mesmo muito boa, por que os juros não estariam em um patamar mais alto, que não punisse os fundos de pensão, aposentados, poupadores,  pequenos e médios empresários? Antes dos EUA terminarem seu programa de QE3, já vínhamos alertando para o possível (e agora, mais do que nunca, provável) QE4. Claro, como o QE1 não funcionou, tivemos o 2. Como o 2 tampouco funcionou, tivemos o 3. Já que o terceiro também não funcionou, por que não implementarmos o 4? Esse raciocínio é, no mínimo, absurdo! O ouro já sobe mais de 20% esse ano e acreditamos que o rally esteja somente começando. Quando o mercado descobrir que o FED não tem outra saída, a não ser imprimir mais e mais dinheiro, o papel moeda vai perder valor contra os ativos reais. O único ativo real que consistentemente, por toda a história de que se tem notícia, nunca perdeu valor com o tempo é o ouro. Recomendamos aos nossos clientes uma exposição ao ouro físico como forma de proteção e possível ganho de capital. Quando a próxima crise chegar – e acreditamos que ela não esteja longe – o ouro será o ativo livre de risco. Não há muito ouro físico disponível no mundo e a procura está aumentando, então recomendamos a quem ainda não o tenha feito, que comece a montar posições no metal. Prova de que as disponibilidades estão decrescendo é o aumento do spread (diferença) entre o preço do escritural e o do físico no mundo inteiro, inclusive na China, maior produtora e consumidora global desse ativo. Quando a crise chegar, não haverá para...

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Adeus, presidente!

Imagine que você contrate uma presidente para a sua empresa a preço de ouro. Na entrevista, essa até então candidata a presidente omitiu vários “detalhes” que seriam cruciais para a decisão sobre a sua contratação, tais como performance passada (ela esteve na cadeia, quebrou várias outras empresas por onde passou, nunca se deu bem com subordinados, etc.), objetivos (tomar a empresa para si e seus amigos) e, principalmente, performance futura (promessas vazias para impressionar). Mas você realmente gostou da maneira como alguns amigos e conhecidos falaram dessa candidata e decidiu contratá-la. Logo após seu início na empresa, as coisas foram de mal a pior. A empresa começou a contratar gente sem qualificação necessária somente para preencher uma “função social” no bairro onde a empresa se instalou. Embora tivesse contratado mais funcionários, se recusava a delegar responsabilidades e atribuições, mas quando o fazia, intervinha e desautorizava as decisões dos gerentes e diretores, acreditando ser a mais sapiente e capacitada de todos, em todas as áreas, sem exceção. A empresa implementou um plano de economia de energia, que acabou custando praticamente o dobro do valor da energia pago antes. Além disso, exigiu de empresas coligadas que baixassem o preço de suas mercadorias e serviços para favorecer o crescimento de clientes. Começou um plano de doações para entidades ilegais sem CNPJ para formar um exército em caso de demissão da presidente ajudar ao próximo (essa presidente é realmente bondosa, especialmente com o dinheiro dos outros). Essa presidente começou a emprestar dinheiro da empresa a juros subsidiados para empreiteiras amigas que iam superfaturar obras promover o desenvolvimento da empresa. Não satisfeita, representava a empresa em todos os eventos e congressos, nos quais proferia discursos sem nexo algum, manchando a imagem da companhia. E inúmeras outras falcatruas e indiligências se seguiram… Como você descobriu logo depois, a presidente não tinha a menor condição de se manter no cargo, após ter trocado os pés pelas mãos incontáveis vezes e estar levando a empresa à bancarrota! Você marca uma reunião e lhe dá o aviso prévio. Ela ainda tem 30 dias para se manter no cargo antes de sua demissão. E o que acontece? Essa presidente aumenta o ritmo das baixarias que estava fazendo na sua empresa: liga para os clientes e diz que está sendo demitida sem justa causa, libera ainda mais recursos da empresa para entidades ilegais, diminuindo ainda mais as receitas e aumentando os gastos, sabendo perfeitamente que isso vai custar anos de trabalho, vários empregos e milhões de reais em reestruturações. Não poderia o dono da empresa expor a funcionária? O Brasil deveria fazer o mesmo… Cadeia ainda é o lugar de...

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