Conversa com Druckenmiller – Parte 3 de 3

Nesse terceiro e último artigo, vou escrever sobre como Druckenmiller está vendo os mercados em geral – e, em especial, o Brasil -, o que ele acha da política atualmente e sua influência nos mercados e a dificuldade em se usar ferramentas, outrora excelentes, para se prever os acontecimentos nos mercados.

Druckenmiller está bem negativo com relação aos mercados e está com uma posição short em ações correspondente a 25% do seu patrimônio. Lembrando, mais uma vez, que ele pode mudar de opinião rapidamente, encerrar todos os shorts e ainda ficar comprado no mercado. Assim, sua posição atual não nos diz muita coisa, a não ser o que ele pensa naquele momento somente.

Interessante saber que ele está bem negativo com o Brasil. Ele tem (ou tinha) uma posição short em reais (R$) e acha que os juros no Brasil vão subir. Ele tampouco está confiante em relação à Argentina (apesar da queda recente) e à África do Sul. Na verdade, Druckenmiller está bem negativo com relação aos mercados emergentes em geral.

Ele acha que a esquerda, que dominou o mundo nas últimas décadas, abusou do poder e vai ter uma grande surpresa. Aliás, já estamos vendo isso acontecer em várias partes do mundo, seja em mercados desenvolvidos (Brexit, Trump, eleições na Áustria), em mercados ditos desenvolvidos (Itália) ou emergentes (Macri na Argentina, Bolsonaro no Brasil, etc). Como contraexemplo, gostaria de mencionar o México e a eleição de López-Obrador.

Ele tampouco gosta do euro (moeda) e acha que a política não tem tanta importância quanto os mercados acham que tem. Eu particularmente acredito que essa frase é mais verdadeira nos mercados desenvolvidos do que nos emergentes, já que os governos emergentes participam de forma exagerada na economia, a exemplo o Brasil, onde os bancos públicos são responsáveis por mais da metade do crédito, sem mencionar grandes estatais como Petrobras, Eletrobras, etc.

Druckenmiller disse que acredita que um dos melhores indicadores para os preços dos ativos é como eles se comportam diante das notícias. Assim, se uma notícia ruim é reportada por uma empresa e o preço das ações não cai ou até mesmo sobe, ele acha que isso significa que grande parte das coisas negativas já foram precificadas pelo mercado e, naquele momento, comprar o ativo seria uma boa. O mesmo vale para o outro lado, na hora da venda, e se uma notícia boa é divulgada e o ativo não sobe ou até mesmo cai, é hora de abandonar o barco, segundo ele.

Mas ele ressaltou que isso não vem acontecendo mais e que o mercado de bonds já perdeu o seu poder de previsão. Concordo totalmente com esse argumento, especialmente sabendo que os BCs estão por trás, suportando o mercado em qualquer queda e mantendo os preços artificialmente altos. Druckenmiller acredita que o fim do dinheiro barato e dos QEs (Quantitative Easing – afrouxamento monetário) resolverão parte do problema.

Com a queda na liquidez, várias empresas e setores sofrerão. Ele fez questão de mencionar os setores ligados ao mercado imobiliário, como o de construtores e incorporadores. Segundo ele, vamos ver várias bancarrotas.

Bom, Druckenmiller falou muito mais do que mencionei aqui, mas esses foram os pontos principais da conversa. Sem dúvida alguma, poder encontrar com personalidades como ele é um privilégio enorme e uma grande oportunidade de crescimento profissional. O aprendizado não para.

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