Japão

Após o incrível boom do Japão que durou até o início de 1980, veio o inevitável crash (qualquer similaridade com a situação norte-americana e chinesa hoje não é mera coincidência).

As ações e o mercado imobiliário despencaram e o país vive, desde então, uma estagnação – com alguns soluços.

Isso tudo marcou o Japão como um mercado onde não se deve investir, em que a taxa de juros está extremamente baixa por anos, a dívida só aumenta (e muito), há baixíssimo crescimento populacional e quase nenhum crescimento econômico.

Felizmente, para nossos clientes, não pensamos assim e enxergamos oportunidades onde poucos veem. Anomalias acontecem com uma frequência razoável no mercado financeiro e temos que aproveitá-las.

Assim, não é de se assustar que nossos maiores investimentos no momento estejam focados no Japão. Nosso processo de busca de investimentos identificou boas oportunidades nesse país e gostamos das empresas.

Não víamos oportunidades assim desde a década de 90 no Brasil, quando era possível comprar empresas na Bolsa por menos do que elas tinham em caixa nos bancos. Hoje, em pleno século XXI, é possível fazer o mesmo na terceira maior economia mundial.

Estamos comprando duas empresas no Japão que tem um valor bursátil (valor de mercado) menor do que o próprio saldo bancário. Uma delas possui quase Y1,000/ação em caixa e está valendo na Bolsa cerca de Y600/ação, ou seja, apenas 60% do seu valor em caixa!!! Sem contar com os produtos, imóveis e outros ativos. E estamos falando de uma empresa lucrativa, que gera caixa e paga dividendos e ainda tem os donos como diretores (ou seja, temos os interesses alinhados).

Isso é como comprar R$1 por R$0,60!! Se o valor das ações subir meramente para o valor que a empresa tem em caixa, estamos falando de um retorno potencial acima de 60%!! E estamos recebendo os dividendos para esperar que essa discrepância chegue ao fim.

Em vez de comprarmos ações de empresas supervalorizadas como as de tecnologia nos EUA, estamos buscando empresas nas quais o risco x retorno seja vantajoso para nós e para nossos clientes.

Quando compramos uma ação que vale PELO MENOS Y1.000 por Y600, reduzimos drasticamente nosso risco e potencializamos nosso retorno. Essa é a mesma estratégia usada por Benjamin Graham há praticamente um século e abusivamente usada por Warren Buffett no início de sua carreira.

Ela requer paciência e muito trabalho (de nossa parte), mas os frutos já estão aparecendo (recebemos os primeiros dividendos essa semana e o potencial para a alta é ilimitado, com baixo risco de queda e/ou surpresas negativas).

Um Comentário

  1. César Lobo says:

    O mercado japonês é sem dúvida alguma um dos mais interessantes. Acredito que é possível encontrar muitas fontes de “alpha” lá, especialmente em ações de market cap mais baixas. Contudo tenho que pontuar que estar long Nikkei, com ou sem o hedge cambial é basicamente um trade short JPY.
    Acredito que combinar posições longs nessas situações de companhias unicamente baratas com shorts nos bancos regionais, bancos maiores(Nomura,Mizuho Mitsui) e no setor de real estate.
    Recentemente a Horseman Capital postou um research “on the ground”.Achei bastante interessante. Aqui está o link: https://www.horsemancapital.com/marketviews/shannon-mcconaghy/2017/03/japan-on-the-ground-observations-%E2%80%93-zombie-borrowers-and-real-estate-downturn

    Um abraço,
    César

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