Os juros nos EUA estão subindo – você está preparado?

Ontem a taxa de juros de longo-prazo (10 anos) do tesouro americano atingiu quase 3% a.a. Chegou a bater 2,99%, antes de encerrar um pouco abaixo disso. A taxa de juros de 2 anos também está subindo e atingiu hoje 2,47% – ou seja, a curva de juros está ficando mais horizontal. Se ela se inverter, teremos um problema.

Isso tampouco tem algum significado importante. O Dow Jones bateu 19.999 pontos há alguns meses e demorou um bocado para passar da icônica marca dos 20.000 pontos.

O movimento de alta dos juros é bem normal, especialmente porque o FED já anunciou que vai subi-los e começar a enxugar seu balanço (vender títulos do tesouro e hipotecas que possui em carteira).

Mais uma vez, é bom lembrar que todos os crashes dos últimos anos ocorreram no mesmo período em que o FED estava subindo a taxa de juros. Esse provavelmente não será muito diferente. O que será assustador é a magnitude quando ele ocorrer, já que os maus investimentos foram realmente exagerados por uma taxa de juros real negativa por quase 10 anos.

Com a taxa de juros baixa, investidores são “compelidos” a correr mais risco para obter um retorno menor, ou seja, maus investimentos são feitos e ainda com grande alavancagem. Quando a taxa de juros começa a subir, esses investimentos ruins perdem a atratividade e têm que ser desfeitos, estourando a bolha e causando perdas gigantescas aos investidores.

Conforme antecipado nesse blog, a Netflix, uma empresa de conteúdo de grande sucesso, anunciou que está levantando mais US$1,9 bilhão para financiar suas operações esse ano. A emissão inicial seria de “apenas” US$1,5 bilhão, mas a demanda foi ainda maior.

A empresa é ranqueada como B+, ou seja, bem abaixo de grau de investimento. Ainda assim, foi capaz de levantar cerca de US$5 bilhões nos últimos 13 meses para financiar suas operações. Só mesmo em um bull market dessa magnitude uma coisas dessas poderia acontecer.

E a Netflix não está sozinha. Ano passado a Argentina, país que já entrou em default 8 vezes nos seus 200 anos de história, 5 no último século, as duas últimas tão recentes como em 2001 e 2014, emitiu quase US$3 bilhões em dívida de 100 anos com uma taxa de juros abaixo de 8% ao ano. Em 2018, Argentina já emitiu quase US$10 bilhões, sendo US$3 bilhões em títulos de 30 anos.

Estamos esperando por mais uma emissão da Argentina com rodas, também conhecida como Tesla, especialmente após seu extravagante CEO, Elon Musk, dizer que não será necessária.

A euforia ainda está presente e os investidores jogaram o risco para fora da janela. O que vale agora é só retorno. Vamos ver até quando dura esse movimento. Mas já antecipo que o final não será feliz.

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