Urânio: a história fica melhor ainda

Quem acompanha esse blog sabe que eu acredito que a tese de investimento em urânio é a que apresenta a melhor relação risco x retorno na atualidade. Na verdade, o call é surpreendentemente óbvio e um dos melhores que já vi na minha vida como gestor. Os acontecimentos dos últimos dias reforçam ainda mais uma excelente história.

Acompanho o mercado spot (preço da commodity para entrega imediata, sem contrato) e ele vem subindo constantemente e ontem alcançou o maior patamar em quase 3 anos, cotado a US$29,25 a libra. Apesar dessa alta de quase 40% desde as mínimas esse ano, o custo de extração do metal ainda é quase o dobro disso, ou seja, o urânio ainda pode (e, na minha opinião, vai) subir muito mais.

Embora a alta do metal seja significante, os preços de muitas ações no setor não estão acompanhando, o que faz com que o diferencial entre o preço do metal e o das ações das empresas que o produzem (mineram) forme uma “boca de jacaré”, abrindo mais uma excepcional oportunidade de compra, na minha opinião.

Mas a história fica melhor. Vamos começar indo ao outro lado do mundo, onde está o principal vetor de crescimento desse mercado.

Em primeiro lugar, houve um referendo em Taiwan, país que visitei há pouco mais de um mês e mencionei numa publicação anterior, a respeito da energia nuclear. A população votou em peso (59,5%) favoravelmente à energia nuclear, mais limpa, barata, confiável e segura.

Basta lembrar que, no ano passado, após o fechamento de um reator nuclear, houve um blackout no país que ameaçou várias indústrias, entre elas a de semicondutores, a mais famosa da ilha. A população claramente não se esqueceu disso.

Com essa vitória acachapante, o caminho está aberto para o início de operações de reatores que estão parados e o governo ainda deve estender a vida útil dos que estão funcionando. Além do mais, tal resultado fará com que políticos, antes mais comedidos, sejam mais explícitos e barulhentos com relação ao uso de energia nuclear.

Um dado importante é que quase 7 milhões de pessoas morrem todos os anos graças aos efeitos nefastos de poluição, sendo que a maior parte das casualidades ocorrem na China e Índia. A energia nuclear, por ser limpa e estar ganhando tração entre os chamados “verdes”, deve conquistar espaço na retórica dos políticos da região, que terão mais força para propor a construção de novos reatores. Argumentos não faltarão, já que as grandes vantagens da energia nuclear com relação às outras energias limpas é que ela não depende do sol ou vento, é mais barata e mais segura.

Em segundo lugar, a França, país cuja matriz energética é quase 80% nuclear, postergou de 2025 para 2035 os cortes já anunciados em reatores nucleares e ainda poderá construir mais reatores. Os modelos das consultorias especializadas contavam com essa redução já a partir de 2025, que não ocorrerá mais. Isso deverá pressionar ainda mais a demanda por urânio das mineradoras. Contudo, com a produção em queda, quem poderá suprir?

O call de urânio é muito simples e direto: é um mercado com demanda crescendo, oferta diminuindo, compradores praticamente insensíveis à cotação e preço do material a quase metade do custo de produção. Oportunidades assim não aparecem todos os dias, é bom aproveitar.

Esse texto reflete a opinião do autor e não constitui uma sugestão, recomendação, indicação e/ou aconselhamento de investimento. Nenhuma decisão de investimento deve ser tomada com base nas informações ora apresentadas, cabendo unicamente ao investidor a responsabilidade sobre qualquer decisão que venha a tomar.

As opiniões expressas nesta publicação são baseadas em julgamentos e estimativas, estando, portanto, sujeitas a mudanças, sem, contudo, implicar a obrigação de qualquer comunicação acerca de atualização ou revisão.

O autor reconhece estar investindo no setor mencionado nessa publicação em sua carteira proprietária e/ou na de clientes sob sua gestão remunerada.

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